terça-feira, 12 de junho de 2012

Ser dois.

Há dias em que a solidão me engana e finge que satisfaz. Excepcionalmente hoje, a lágrima que escorre dos meus olhos entrega a falta que sinto do outro. 

[...]

Descobri que não me basto, mesmo sabendo de mim mesma. 
Porque no fundo, só quero poder transcender à esta condição de estar só.

domingo, 3 de junho de 2012

Bonito mesmo.

Hoje acordei com uma enorme necessidade de compartilhar minha intolerância frente aos padrões de beleza exigidos pela sociedade. Eu, como apreciadora de uma extensa lista de alimentos altamente calóricos e fora das medidas esperadas para uma garota desde sempre, sinto preguiça de gente que se apaixona pelo perecível e faz do outro o seu objeto de exposição. Sinto uma tristeza quando vejo que as pessoas não se dão a oportunidade de transcender e estender um segundo olhar, o qual geralmente é capaz de surpreender. Não estou exigindo que todos aceitem o que o senso comum costuma chamar de 'apaixone-se pela beleza interior', mas apenas estou externalizando a minha decepção frente aos que em nenhum momento são capazes de buscar o que o outro não exibe, ou o que ele esconde, o que o define, o que o torna quem ele realmente é. Triste daqueles que buscam perfeições no corpo e contentam-se com o que tem seu percentual de beleza, mas não sustenta com o tempo. Bonito pra mim é aquele que ouve boas músicas, aquele que sabe apreciar um bom livro e que gosta muito de café. Bonito é quem acorda de manhã e se permite, por pelo menos alguns minutos, apreciar o calor do sol. Bonito é quem tem consciência da necessidade de carregar algo além de um corpo, de um rosto e de cabelos perfeitos. Bonito é quem é capaz de apaixonar-se por alguém que acrescenta algo, que traz paz pro coração. Eu ainda acredito que bonito mesmo, é aquele sujeito que ama sem ter uma lista de pré-requisitos, exatamente para poder se surpreender. Bonito é ser por dentro. É ter singularidade. É ser humano. Mas isso é o que eu acho. Bonito mesmo deve ser amar alguém que também ama você. Simples assim. Ou nem tanto.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Escolha certa

Há dois meses me convidaram para o que seria o meu primeiro salto. Aceitei na hora, como quem deseja e sabe que precisa de novos ares para viver. O medo do início se apresentou como algum tipo segurança e hoje, vendo o sol lá fora, as pessoas ao meu redor, os livros e minha xícara de café - sempre salvadora - agradeço. Agradeço aos que me mostraram o quão valiosa posso ser ao estender a mão e apenas ouvir. Agradeço por cada lágrima dividida, porque elas são sinônimo de confiança e de vínculo, o que sempre quis estabelecer. E o melhor de tudo isso é poder perceber que estar ao lado dos outros é o que me faz sentir viva. É o que me transforma e me revigora. É o que me aproxima de mim, cada vez mais. Acho que eu acertei o pulo dessa vez. 

domingo, 6 de maio de 2012

Sobra tanta falta.

Ontem era dia de lua bonita. Então ela saiu com as amigas e foi ver um show. Das letras, sabia de cor só três. Insistiu mesmo assim, era só o clima bom da música que ela queria mesmo. O que ela não sabia, e quase ninguém sabe, é que continuar insistindo em algo que vai contra sua postura, tem um limite. Não dá mais pra fingir que nada está acontecendo e que estar onde estão é o que ela quer. São tantas pessoas, tantos lugares e bebidas cada vez mais fortes. Tudo pra evitar o que está sendo jogado na sua cara: você está sozinha, mesmo acompanhada. No outro dia, além da ressaca que mata, dói saber que as tardes serão outra vez solitárias, porque os que traziam sol aos dias da pequena garota, hoje estão distantes. O que conforta é saber que um dia eles voltam. E até lá, ela precisa aprender a sobreviver, mesmo só.

domingo, 22 de abril de 2012

Vai passar.

Chora menina. Você sabe que o mundo lá fora é cruel e insistir no amor é quase impossível.  Então chora pelas perdas, pela falta de abraços e pela solidão da multidão. Chora, porque dói mesmo e sangra muito. E chora, pra poder lavar tudo. Afinal se amanhã é dia de sol, significa que um dia a chuva também passou.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dor sem nome

É claro que dá muito medo de tentar outra vez. Mas não é medo do amor propriamente dito. Esse é e será indefinível para sempre. O que realmente angustia é a possibilidade de perder o pouco que ainda restou, e que só voltei a encontrar depois de compreender meu próprio tempo. Hoje sei mais sobre o que espero de alguém e também sobre o que espero de mim. E talvez tomar consciência de uma pequena parte que é unicamente minha tenha me deixado com receio de que alguém descubra algo que vai além da minha autopercepção. Porque quando alguém descobre, se apodera, transformando o que era meu em teu e o que era teu em nosso. No final de tudo, perder o que é dos outros machuca. Mas viver sem o que sempre foi nosso é dor sem nome. É fim.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre ser o que se é.

No tempo exato, aprendi a deixar de lado a necessidade de definir ou nomear aquilo que me faz bem,  e tive a impressão de que a vida sorriu de um jeito mais bonito. Não foi necessário criar um rótulo para o dono da minha taquicardia. Ele é apenas o que ele pode ser agora. E algo nunca me foi tão suficiente como ele hoje é.