terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dois Mil e Doze

Quando o ano novo chegar, vou lembrar de você. Da última noite, há exatamente dois longos anos atrás. Do último beijo e do último olhar saudável que trocamos. Porque depois disso, lágrimas e cicatrizes reinaram entre palavras que nunca foram ditas. Quando os fogos levarem meus olhos ao céu e o barulho das ondas do mar invadir meus ouvidos, vou lembrar também de mim. De todos os sorrisos e de todas as dores, as quais nunca me deixaram esquecer das minhas limitações e, ao mesmo tempo, me mostraram que eu poderia ir um pouco além. Sempre. Quando o ano novo chegar, vou criar coragem e fazer um pedido: quero paz. Muita paz. Porque durante esse ano senti falta da presença dela ao meu lado. E no final de tudo, sei que, inevitavelmente, vou lembrar de nós dois. De tudo que idealizei e que não se concretizou. Mas, ao mesmo tempo, vou saber que não dói mais. Não tanto. Porque com as perdas, aquelas inevitáveis mesmo, a gente aprende a deixar que outras pessoas se aproximem também. Talvez a meta do próximo ano seja deixar que estas mesmas pessoas permaneçam, ao invés de cortar  laços antes mesmo de realmente estabelecê-los. Ou quem sabe, a meta seja simplesmente deixar que o novo ano me surpreenda, como sempre deve ser. E no fundo, tenho mais um pedido: quero poder surpreendê-lo um pouquinho também.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Laços cortados.

Gostaria de ser lembrada nos dias de sol, da mesma maneira como me buscam nos temporais. De criar laços sinceros, de significar algo e de ter a certeza sobre a reciprocidade de um sentimento. Porque estar na condição de alguém que vale a jornada, é muito diferente de ser alguém que apenas serve de parada obrigatória, ao longo do caminho. E é exatamente nessa posição que me encontro. A constatação foi dura e negar a realidade foi quase um apelo desesperado, afinal eu não estava preparada. Se é que alguém está. Pedidos de desculpa sempre foram o suficiente. Hoje vejo que o suficiente nem sempre basta. O que conforta é saber que os poucos e verdadeiros continuam aqui, enquanto os que sempre foram essenciais desapareceram frente a primeira nuvem que resolveu surgir. No final a gente aprende, mesmo que seja da pior maneira possível.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Apenas um.

E hoje tu vais andando e enganando, dia ou outro, a felicidade. Porque mesmo ludibriada, ela continua aparecendo através das nuvens. Igualzinho ao sol, o provedor da mais bela luz que um dia alguém te ensinou a ver e a amar. O mais difícil, porém, é contemplar sozinha o que sempre foi sentido por dois corações.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O ponto final.

Já pensei em voltar e em tentar reconstruir. Aprendi a aceitar que certas coisas não mudam, e que muitas delas nem precisam mudar mesmo. Pensei em tudo isso, pensei em nós, no que fomos e no que nunca seremos. Mas no final, só o que eu pensava era que não poderia mais ficar onde não existe amor. E pensando bem, acho que faz tempo que a nossa porção acabou.

domingo, 27 de novembro de 2011

Sol na janela.

Acredite garota, às coisas podem ser bonitas. Tente lembrar que transição nem sempre significa perder. Mas ganhos, com certeza irão existir. Não exija certezas, elas não são tão seguras assim. Goste do que existe lá fora e ame, ame muito o que existe aqui dentro. Surpreenda-se olhando para o espelho e abrindo um daqueles sorrisos bonitos: a vida merece e você precisa acreditar que merece também. Dezembro está aí e o sol quer te encontrar outra vez. Deixa ele vir, mas vai também.

domingo, 20 de novembro de 2011

Perto do fim.

Estava ao lado de vocês de forma incondicional. Aceitava receber pouco e continuava a doar tudo que tinha. Enxugava lágrimas e engolia o próprio choro, toda vez que meu coração sangrava com a rispidez de suas palavras. Meu carinho sincero nunca foi o suficiente. E o meu silêncio, que clamava por um olhar mais atento de quem estava ao meu redor, foi a única coisa que restou. Confesso que nem sempre pude conter a raiva e despejei em vocês mais do que mereciam. Ontem chorei  e hoje choro muito, porque perdas importantes costumam lavrar assim o rosto das pessoas que ficam. Não sei se é um ponto final. Mas acho que, inevitavelmente, nós estamos tomando direções opostas, onde caminhos cruzados não costumam mais acontecer.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando você volta.

Queria tua companhia todos os dias. Desde cedo até o final. Só pra não esquecer que ainda existem motivos pra sorrir. E pra lembrar outra vez, que ficar bem me parece muito mais fácil quando eu seguro a tua mão. Se estou contigo, tenho certeza de que possuo algo que transcende a amizade. Exatamente por isso, não há definição.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Restos.

O pior de tudo é perceber que continuo me contentando com as migalhas que recebo, as quais muito além de não me saciarem por completo, ainda aumentam esta dependência quase insana que nutro por você.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Olá.

Engolir o choro, adotar uma expressão indiferente e fingir que o coração não sangra: é a minha mentira se apresentando pra você.

domingo, 23 de outubro de 2011

Insista por mim.

Às vezes fico me perguntando por quantas tentativas frustradas ainda terei de passar até que a calmaria se estabeleça. Não uma calmaria que signifique rotina, mas algo que me conforte e me traga ao menos uma certeza, dentro desta vida cheia de dúvidas. O mais estranho é que a cada nova esperança que surge, soa também um alerta que diz: não ouse acreditar que agora pode ser diferente. Talvez isso seja resultado de marcas que deixaram cicatrizes à mostra, ou mesmo um grande receio de deixar que alguém chegue ao principal. Assim como canta seu Humberto Gessinger, a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza, eu transcorro os dias sempre desconfiada, quase rejeitando toda amostra de felicidade que aparece. O medo maior é o de trancar as portas e acabar esquecendo também a posição das janelas, pois são poucos os que parecem dispostos a  tocar a campainha pela segunda vez. Quando, quem sabe, eu teria coragem de atender.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

'A vida é agora: aprende'

Faltam cinco dias, que devem ser mais ou menos umas cem horas e não sei bem quantos minutos para os dezoito anos chegarem. E a única coisa que eu venho pensando desde a contagem regressiva de trinta dias é: a vida é agora. E como diz Caio, eu estou aprendendo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

De mãos dadas.

Acordar e ver que teu sorriso voltou foi o  maior presente que eu poderia ter recebido nos últimos dias. Ver que, aos poucos, a estabilidade está reinando e que teus olhos já não comportam apenas lágrimas e marcas tristes, mas também a certeza de que, mais uma vez, isso poderá ser superado, foi extremamente lindo. Eu nunca vou deixar de acreditar em você. E saber que você também está tentando não desistir, é a melhor certeza que poderias me oferecer. Vamos juntas e de mãos dadas, porque sempre foi e sempre será assim.

sábado, 24 de setembro de 2011

Primavera, outra vez.

Quando o velho moleton entra em cena, é sinal de que o sol já não parece ser tão bonito. E quando a necessidade de buscar o quarto escuro é realmente intensa, o silêncio parece predominar. Normal é ter uma necessidade de solidão, vez ou outra, mas repelir constantemente a presença daqueles que te fazem bem, começa a se tornar preocupante. Porque dentro deste ato de cortar qualquer tipo de vínculo antes mesmo que ele tenha se estabelecido, acabo me afastando de pessoas que mereciam ao menos a chance de tentar. Então fico presa à velhas raízes que me puxam ao fundo do poço, como quem ainda tem uma esperança de que uma nova flor volte a brotar. O problema é que algumas raízes não dão bons frutos e me parece que exatamente essas, são as que perduram mais em minhas cicatrizes. O que espero de mim mesma é, ao menos, a capacidade de permitir que o vento leve um pouco disto tudo e me traga, quem sabe, uma flor diferente de todas que já conheci.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cortar antes mesmo de nascer.

Se eu pudesse prometer o futuro que você espera, a história não teria o mesmo final.  Se eu fosse capaz de amar teu jeito lindo de cuidar de mim, às coisas nunca seriam iguais. Não sendo possível te amar, sinto-me angustiada caso venha a te trazer dor. E é exatamente por isso que tomo a única atitude que me sinto preparada a sentenciar: estou te dizendo adeus, antes que você queira mesmo ficar.

domingo, 11 de setembro de 2011

Pedaços que ficam.

Recordar as turbulências do passado é sempre desagradável. E mais difícil ainda é constatar que tanto tempo depois, estas mesmas feridas continuam negando qualquer tipo de cicatrização. O mundo que se abre depois da tua janela já é um mar recheado de provações. E perceber que mesmo depois de passar por tudo que te dói lá fora, você ainda vai precisar chorar dentro de um refúgio secreto, chamado família, é realmente esmagador. Porque não há como se conter frente a vícios que não podem ser controlados e que continuam deixando os teus dias - e os dias daqueles à quem você ama - sempre mais cinzas. E, ao mesmo tempo, se sentir impotente frente ao sofrimento daqueles que nem possuem mais voz pra externar toda dor que sentem, acaba te destruindo também. Dentro dos tempos de calmaria - que pareciam estar vingando - você tinha certeza que apesar dos apesares todos, era gratificante estar perto de quem realmente te amava. Mas quando o lado obscuro destes que são apenas seres humanos como você resolve ressurgir, o fundo do poço é quase inevitável. Não há dor maior do que ver  os olhos cheios de lágrimas de alguém que não tem mais controle sobre si mesmo e acaba levando todos consigo, dentro deste mar turbulento e sem sol. Hoje, a esperança há de permanecer, porque deixar de acreditar em alguém que lhe proporcionou a vida, é - e sempre será - a sua última opção. Isto vai passar e nós vamos nos reencontrar, outra vez.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Continua sendo você.

Quando essa saudade irracional volta a machucar, é quase impossível controlar a vontade de ter você aqui, outra vez. Tento preencher essa falta com abraços que não trazem conforto e com palavras que não tem o menor sentido. É difícil calar o que o coração grita com toda a força existente: foi você, é você e continua sendo você o único a despertar em mim um sentimento bom. Hoje vejo o sol lá fora e me sinto bem, afinal aprendi que a vida de alguém só, também pode ser bonita. Mas é inegável admitir que quando você estava aqui, a vida deixava de ser apenas bonita, para se tornar absurdamente linda.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

É assim que vou lembrar

Dia ou outro tua lembrança  acompanha minha rotina. Fico relembrando palavras, datas, sorrisos e abraços. Lembro de como a taquicardia era extrema quando tuas mãos seguravam as minhas e também dos encontros inesperados que traziam um conforto antes desconhecido. É bom lembrar de você assim, como alguém que só acrescentou sol aos meus dias. A parcela de nuvens eu prefiro ignorar, afinal hoje sei que nosso final prematuro, por mais que tenha doído, permitiu que não matássemos tudo que havia sido criado. Juntos percebemos que estender o que não tinha futuro, seria o princípio para as intermináveis mágoas que o final é capaz de deixar. Depois destes oitocentos e cinquenta e dois dias, lembrar de você como alguém que me trouxe amor é a recordação mais bonita que eu quero poder guardar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

É simples.

Então pega o telefone e me liga no meio da noite só pra dizer que o dia de hoje foi um pouco melhor do que o de ontem. Se precisar me contar que sentiu vontade de chorar ao meio-dia, conta também. E até mesmo se for só pra falar sobre banalidades, disca meu número mesmo assim. Podemos conversar por horas e horas ou mesmo por apenas alguns minutos, afinal o mágico de tudo isso não está no tempo, mas na paz que acontece durante. Depois que você desligar, eu vou abrir um sorriso bobo, daqueles que são capazes de iluminar. Porque eu sei que o fascínio de tudo isso, está nesse nosso jeito simples de gostar.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Num olhar, você.

Entre os livros eu encontrei você. Com a casual tranquilidade que tua voz me passava, encontrei também teu rosto. Um desconhecido que representava tanto. Uma loucura total aliada a uma vontade de gritar: 'Ei, estou aqui, me olhe também.' E assim fiquei por alguns instantes, me permitindo estar na posição de alguém que apenas vê, sem ser notado. Foi bonito perceber que ao menos uma idealização acabou se tornando real. Que a coincidência de um caminho cruzado volte a acontecer. Teremos então, quem sabe, a possibilidade de deixar que nosso olhar fale por nós. Tenho quase certeza que vamos nos compreender.

sábado, 30 de julho de 2011

Permaneça comigo.

Quando você se sente deslocado do mundo lá fora, você acaba passando muito tempo sozinho. O silêncio acaba esmagando qualquer palavra que ainda poderia ser proferida. Você começa a analisar o que os outros esperam dos dias e acaba percebendo que entrar na mesma roda seria  a sua última opção. Os livros acabam se tornando um refúgio sagrado, uma substituição daqueles amigos mais do que importantes, mas que agora estão longe. Você começa a entender que existem coisas lindas lá fora, mas se assusta ao perceber que são poucos os que estão dispostos a buscar tudo isso com você. Então você acaba silenciando. E no silêncio se encontra, se perde, se refaz, cai e renasce. Mas quase sempre na condição de ser alguém só. Porque são poucos aqueles que decidem olhar mais além a fim de compreender que o que você mais precisa é de alguém que não desista quando você decidir deslocar tudo do lugar, mais uma vez.

domingo, 24 de julho de 2011

Sinal vermelho.

O sussurro das tuas palavras nos meus ouvidos me fez estremecer. O leve roçar de nossos rostos trouxe uma pequena taquicardia. E as palavras ficaram ressoando durante toda noite. Não há necessidade de  explicar essas reações inesperadas  (ou seriam desejadas ?). Aliás, o que mais assusta  é ter consciência de que a resposta grita bem alto desde aquele primeiro beijo. Eu sei exatamente o que está acontecendo. Mas prefiro continuar nessa confusão, afinal minhas últimas certezas também não me trouxeram algo melhor. Deixo estar, porque hoje sei que não vigora. E por saber, evito amar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

É pra vocês.

Mesmo sendo poucos, eles representam muito. Mesmo distantes, continuam no coração. Quando o dia é de sol, eles estão aqui pra sorrir com você. Se ficar nublado, alguns ainda continuam. E aos que permanecerem mesmo quando houver um baita temporal: cuide bem destes. Porque são essas pessoas que merecem seguir ao seu lado.

Tudo que é verdadeiro não precisa de muitas palavras. Por isso, em diversas situações, ele vai olhar nos teus olhos e vai entender. Quem sabe um sorriso de canto, um toque de mãos e um abraço afetuoso. Porque amigo não precisa de muito gesto ou dramatização pra amar. 

Ele vai sair com você para aquela festa chata, só porque sabe que você quer muito ir. Vai beber com você quando o mundo não tiver mais cor. Ou simplesmente vai te mostrar que se enganar dessa maneira não ajuda nada. E às vezes, só piora.

Ele vai ir até a sua casa, num dia qualquer. E às tardes, noites, madrugadas, vão ficar pequenas para tanta conversa. Porque às coisas fluem naturalmente. O tempo passa e vocês nem percebem.

Ele vai rir de você também. Mas só pra que você perceba que rir de si mesmo, faz um bem danado. E pode te recriminar, vez ou outra. Porque os olhos dele sempre enxergam mais além que os seus.

Ele vai ser teu amigo. Sempre. Incondicionalmente.  Mesmo que se distanciem, às lembranças vão continuar. Porque tudo que vocês compartilharam e tudo que ele acrescentou à sua vida, serão recordações eternas.

E amigo que é amigo, nunca esquece.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Sol. Só.

Em um relacionamento sério.


Foi essa frase que quase me fez chorar ontem à noite.
Que doeu aqui dentro. Que jogou na minha cara, mais uma vez, a impossibilidade de ver meu nome junto ao complemento da mesma. Mas foi, ao mesmo tempo, a última evidência que eu precisava  para ver.

E mereci.

Mereci a dor no peito, mereci o arrependimento pela espera boba durante
tantos meses. Mereci o tapa na cara pela ingenuidade. Pelas horas intermináveis de compreensão. 


Mas mereci também a liberdade que cada palavra me proporcionou.

Fico com a impressão de que me desprender dessas amarras, dependia desta tua atitude. É como se agora, apenas agora, eu ficasse totalmente ciente de que não existe outro caminho, há não ser, seguir só. Sem você. Sem nenhuma expectativa, nenhum novo amor, e um pouco de dor aqui dentro. Mas mereci, principalmente, por poder abrir ainda mais as portas e janelas, a fim de deixar a luz entrar. Talvez você tenha feito tudo doer por aqui, outra vez. Mas levou também aquilo que me impedia de ver o sol completamente


Hoje há muita luz. E mesmo que ofusque, sempre é melhor do que ser uma nuvem: como você.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nova experiência

Hoje cedo fui agraciada com um belo convite, vindo da queridíssima e antenada Vanessa Zimmer,  sobre a possibilidade de juntarmos nossos esforços e darmos um diferencial ao blog que ela havia criado.
Nota-se de cara que a Nessa (sim, sem formalidades) adora tudo que está ligado à moda, desde os esmaltes lindos que enfeitam nossas unhas, até os sapatos que deixam toda mulher se sentindo ainda mais poderosa. Sem contar na moda masculina, que além de deixar o homem ainda mais elegante, faz todas nós suspirar. (É, estou nos entregando.)
Ela, mesmo com receio da aceitação que o blog poderia ter (ou não),  decidiu que era hora de externar esse seu prazer: falar sobre à moda e todas às suas implicações.
Moda não é superficial, minha gente. Ela se torna futilidade quando é isso que move nossos dias. Mas quando é tratada como um acréscimo a nossa rotina, faz todo sentido. Mulheres e homens, mesmo que de maneira despercebida, tem seus dias ligados ao universo da moda.
Dessa forma, o blog que surge agora, está nos proporcionando à possibilidade de ficarmos mais perto desse mundo, de conhecermos determinadas tendências, não tendo que necessariamente segui-las, mas possuindo, ao menos, a oportunidade de vislumbrar o que a moda nos oferece e às novidades da mesma, a cada estação.

Mas a Nessa decidiu inovar mais uma vez no blog, e é mais ou menos por aí, que eu entro na história. Lembram que no início do post eu lhes contei da proposta que recebi?  Pois bem. A Nessa me pediu para colaborar com o blog, cedendo, uma vez por semana, alguma reflexão, alguma ideia, algo que nos faça sentir e nos traga a percepção de que a vida está sempre além do que podemos ver. Ao receber o convite fiquei mais do que empolgada e estou entrando de cabeça nesse novo projeto.  Agora é deixar que às palavras venham, a fim de que a semana tenha sempre um diferencial a mais.

Só mais um lembrete pessoal:
Vestir-se bem não significa usar roupas caras e de grifes famosas. Ter um estilo diferente não é motivo para exclusão. Gostar de moda não é superficial. E escrever sobre ela, é um arriscar-se constante, dentro de um mundo nem sempre bem compreendido.
Desde já, desejo sucesso pra linda Nessa. E que, uma vez por semana, eu possa fazer parte dessa história bonita que ela teve coragem de iniciar.

Vem com a gente também? Acho que vai valer muito a pena. Muito mesmo.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Reinício.

Quando acordou, depois de uma noite de sono tranquila, a garota percebeu que o frio havia dado uma pequena trégua. Levantou com a preguiça habitual, prendeu o cabelo num coque bem solto, abriu a janela e viu o sol: sorriu então. Sorriu porque sentia-se bem. Porque foi natural. Porque lembrou de um desejo. Porque continuou a acreditar num sonho e porque sabia que algum dia, alguma coisa do gênero ia acontecer. Arrumou-se, pegou aquela blusa bonita, a calça nova, passou o lápis preto nos olhos cor do céu e deixou o batom de lado. Colocou os brincos, pegou a bolsa, encheu de livros e foi. Foi para o habitual trabalho, dentro da mesma rotina, mas agradecendo, a cada novo passo, por sentir-se tão bem, como há muito não ocorria. Dentro dela agora pairava aquela tranquilidade, quase boba, de quem sabe que  enquanto a felicidade for uma exigência, ela não ocorre. É necessário deixar estar, deixar vir, deixar ser. Nos últimos tempos, a garota anda deixando a vida surpreendê-la. E a experiência tem sido uma das melhores possíveis. Hoje, depois de tudo, ela percebe que reiniciar foi, realmente, a melhor decisão.

domingo, 10 de julho de 2011

É isso.

Alguns encaram a queda das folhas no outono como o fim de um longo ciclo. Eu vejo como o início do próximo. E é exatamente por isso que o blog ganha um novo design. Sei que lá fora o outono já ficou para trás e o frio nos domina. Mas foi somente agora que arriscar-se dentro desse novo, tornou-se possível para mim.  




           É somente quando as folhas se desprendem, que poderão - quem sabe impulsionadas pelo vento - alcançar o céu.  E o principal: quando caem, elas se tornam livres.

Depois disso, elas não morrem. Elas simplesmente se transformam.
Mais uma vez.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Resistir vale a pena.

Queria te dizer tantas coisas nos últimos dias. Te dizer do quanto eu ainda lembro dos teus beijos. De como me parece impossível esquecer aquele teu olhar cuidando de mim. Da tua voz que me atendia logo após o segundo toque. Das tuas palavras que nem sempre faziam sentido, mas que sempre me traziam paz. 


[...]


Mas ao mesmo tempo, eu também estou querendo te dizer coisas novas. Queria te contar que minha liberdade nunca foi tão plena quanto agora. E te dizer que às lembranças não fazem mais o meu coração sangrar. Queria poder te contar que hoje eu estou muito bem, mesmo sozinha. E que mesmo sentindo, dia ou outro, a tua falta, eu continuo trilhando meu caminho. E tem mais: eu não estou mais com vontade de voltar atrás. De retroceder até o ponto em que decidimos nos separar.  Hoje eu tenho consciência de que minha felicidade não precisa depender de você.

[...]

O meu sorriso está tão bonito. Até você iria gostar de ver. Estou aceitando a minha vida, como ela é. Isso não significa abandonar meus sonhos e me contentar com o que existe aqui, agora. É só uma certeza de que ir sempre além é o que eu desejo, mas com a consciência de que o que já existe aqui, é o meu grande começo. Sinto saudades, sabia? Mas agora estou me permitindo gostar da vida, mesmo sem você aqui. Queria que você pudesse ver como estou. Tenho certeza que sentiria orgulho de mim. Por que depois de tudo que aconteceu – tantas quedas, tantas dores, tanto medo frente ao princípio de uma doença devastadora -  depois de tudo,  hoje eu sinto orgulho de ser o que eu sou.  Assim meio inconstante, mas sempre buscando ir além de tudo que me espera.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tá errado. É o meu certo.

Eu tô sozinha. Mas tô bem.
Eu tô com medo. Mas eu tô bem.
Eu tô mentindo. Mas tá tudo bem.

Quer saber? Acho que a vida tá começando agora. E eu tô pulando.
Tô sem asas, mas isso nem importa mais.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caio e suas verdades [2]

“Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.”
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quero ficar só.

É difícil compreender quando uma de suas maiores certezas acaba se desfazendo. Nos últimos meses, me vejo frente à esse desafio: tentar entender como uns dos meus desejos mais sinceros começou a deixar de ter tamanha importância em minha vida. Eu alimentava o sonho de encontrar alguém que pudesse trazer o amor para mim. Alguém que formasse comigo não um só, mas sempre dois. Dois dispostos a dividirem a felicidade que carregavam consigo. Mas agora, é tudo tão estranho. Eu nunca senti uma necessidade de solidão tão grande, como nos últimos meses. E o que me deixa ainda mais confusa é perceber que mesmo desejando ser alguém só, eu estou feliz. Eu estou fazendo planos, estou pensando em pequenas ousadias, estou conhecendo um mundo novo. E o amor continua ocupando sim um dos maiores espaços na minha vida. Mas agora eu me sinto infinitamente mais realizada com meus amigos e com minha família, do que com um único ser em questão. Desde que a minha quase história de amor  acabou - a mais bonita até agora e que durou cerca de dois anos- venho conhecendo novas pessoas. Venho me permitindo pequenas entregas, mas confesso que em uma delas, me excedi. Deixei que às coisas adquirissem um contorno muito extenso, porque no fundo e por alguns momentos, eu achei que ali existia algum tipo de futuro. Mas hoje sei que o que eu espero do futuro transcende o que esse relacionamento poderia me trazer. Por isso estou prestes a cortar este laço que vinha sendo estabelecido, e sei dos riscos à que estou me sujeitando: posso ser mal compreendida, meus motivos podem não fazer sentido e quem sabe alguém comece a me odiar. Mas eu não posso continuar dentro do que está acontecendo. Eu estou iniciando um voo que promete me apresentar coisas lindas e não posso sustentar alguém que ainda acredita que a felicidade só é possível de ser encontrada no outro. Eu estou em um momento de leveza, de simplicidade, de sorrisos estampados e de lágrimas também, afinal o alívio é o primeiro passo para o reencontro do equilíbrio. Sei que pode parecer uma loucura, mas é assim que andam os meus dias. É como se minha vida estivesse dando um giro de 360° e eu, mesmo tonta, adorasse, cada vez mais, essa sensação. Não estou fechando nenhuma porta, ao contrário, estou até escancarando às janelas. Tem tanta coisa linda lá fora, e eu estou usufruindo de um princípio de liberdade que venho recebendo. Eu estou indo em busca da minha felicidade e não faço nem ideia do que vou encontrar.  Mas eu sei que preciso ficar sozinha agora, porque é dentro desse estar só que eu vou descobrir quem estou me tornando. E quem sabe assim, adquirir outra vez, alguma certeza dentro desse coração.

Quando não há saída.

Quando você sabe que, por mais que tente, não vai conseguir entregar o seu coração - ao menos não totalmente -  e mesmo assim insiste numa história, que muito além de te curar, vai trazer novas marcas. Quando você age de forma egoísta, deixando que alguém inicie o amor, mesmo sabendo que você não vai corresponder. Quando você se engana e tenta acreditar que pode amar alguém que apareceu assim, de repente. Quando você percebe que a situação vai adquirindo um contorno real e os sentimentos exigem seriedade. E quando, a cada dia que passa, você tenta, tenta e tenta se enganar, repetindo que esta é a saída, que este é o caminho da luz, que alguém precisa cuidar de você, e continua tentando e tentando. Até descobrir que tudo foi em vão.  Quando você chega ao ponto de escrever sobre a outra pessoa, de inseri-la dentro do seu mais íntimo mundo das palavras, e o pior: quando você às direciona fatalmente, sem entrelinhas, ao ser apaixonado, mesmo sabendo que não há nada de subjetivo por trás de cada frase. Quando você se dá conta de que precisa sair logo, precisa deixar o barco, precisa acabar com todas as expectativas que depositaram em suas costas - algumas são culpa sua, e você sabe - e não imagina como fazer isso sem causar dor em alguém. E ao mesmo tempo, não sabe mais como deixar que alguém te ame sem ter essa louca compulsão de quebrar qualquer laço que mal  tenha sido criado. É mais ou menos nesse instante, que você percebe que não sabe mais amar. E que deixar que alguém te ame, nesse momento, não é, nem vai ser, a saída para que a ferida feche. Quando adquire-se  a consciência de que agora existe alguém esperando pelo seu próximo passo, quando na verdade, você só adoraria voar para longe, sem deixar pistas. E por fim, quando você não sabe mais como agir e encontra nas palavras um lugar para se esconder.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cuida de mim.

Carregamos uma bomba relógio em nossas mãos. Sabemos que, a qualquer momento, ela pode explodir. E você, numa sinceridade tão bonita, me disse que o mais importante nesse momento, é que às consequências não me machuquem. Você está disposto a enfrentar comigo o meu maior medo. Não teme o perigo que pode aparecer. Você só quer cuidar de mim. E há tempos, eu não me sentia assim: protegida, cuidada, tendo uma importância real na vida de alguém. Continue cuidando de mim, com esse teu carinho bonito. Porque é só assim,  que eu vou aprender a cuidar de você também.



Pra falar verdade, às vezes minto 
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
 Pra dizer às vezes que às vezes não digo 
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo 
"Tanto faz" não satisfaz o que preciso
 Além do mais quem busca nunca é indeciso 
Eu busquei quem sou
 Você pra mim mostrou
 Que eu não sou sozinha nesse mundo.

 Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
 Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser. 
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo 

(O Teatro Mágico - Cuida de Mim)

domingo, 19 de junho de 2011

Leve.

Ando distraída por aí, como uma menina moleca, cabelo bagunçado, calça lavada, blusa larga, pés descalços. Ando dando férias para as minhas dúvidas e preocupações. Ando aceitando o formato imperfeito do meu corpo e às inúmeras sardas que se multiplicam em meu rosto. Tô deixando a unha sem cor, e ainda por cima comendo chocolate no meio da noite. E tem mais, tô sorrindo pra tanta gente. Todo mundo que me olha e enxerga além, e até mesmo os que nem imaginam tudo que se passa aqui dentro... É, tô sorrindo pra todo mundo que quiser me olhar. Não é irresponsabilidade, meu amigo. É só uma leveza, uma suavidade, uma liberdade - por que não? - e até mesmo uma ousadia. É só um desejo de ver a vida mais bonita, e ao mesmo tempo, perceber que ela me olha desse jeito também.

sábado, 11 de junho de 2011

Só mais um dia.

Daqui algumas horas vai ser dia dos namorados. Repetindo anos anteriores, vou estar sozinha. Não sei se vou estar melancólica ou depositando minha frustração numa barra de chocolate. Ou quem sabe nada disso aconteça e eu apenas encare o domingo como um dia normal. Talvez uma saudade grande  lateje aqui dentro, mas nada que um dia de sol e algumas doses de esquecimento forçado não possam resolver. É assim que tenho feito nos últimos anos: na falta da tua companhia, me anestesio com outras formas de amor. Abraço minha mãe o dia todo, durmo por mais algumas horas, deixo o sol bater no rosto e de vez em quando, tento acreditar que ser só é uma condição passageira. Quem sabe alguém ligue, quem sabe eu receba palavras bonitas, e por que não flores? O grande problema que vai continuar existindo, é a impossibilidade de uma satisfação completa, afinal o remetente do cartão não vai estar assinado com teu nome. Sei que você não vai ligar, não vai aparecer, nem vai me dizer aquelas palavras bonitas que pronunciou uma vez. Mas vai ficar tudo bem. Os anestésicos estão disponíveis e a dor há de suportar, ao menos, um dia à mais. E se o telefone tocar, bem...Ainda tenho esperanças de ouvir a tua voz do outro lado.

sábado, 4 de junho de 2011

Gostaria que você soubesse.

Nesse exato momento estou prestes a deixar que as lágrimas caiam mais uma vez. Aquela dor que eu julgava estabilizada volta e me toma por completo. Me derruba e me traz uma tristeza quase que incomunicável. Eu não consigo verbalizar o que dói aqui dentro. Eu apenas fico relembrando, numa conversa silenciosa comigo mesma, todos os planos que eu fiz com você. Eu não consigo entender em que momento me perdi nessa história. É estranho imaginar que durante dois anos eu fui do sol à chuva. Eu fui da paz ao desespero. Eu fui da companhia à solidão.  E o que mais me aflige hoje, não é o fim prematuro de tudo que existiu aqui, mas sim a incapacidade de superar este término que ainda me acomete. Eu não te esqueci. Em nenhum momento. Quando estive em outras companhias, quando beijei outros lábios, quando me deixar abraçar por outro alguém e até mesmo quando tentei dar a mim mesma a oportunidade de viver um outro amor: no final de tudo, meu pensamento ainda chegava em você. Existiram momentos em que era fácil lembrar de ti como alguém que não estava mais no presente, como  algo que pertencia ao meu passado. Mas estes momentos, percebo agora, eram uma mentira. A minha própria mentira, contada e inventada por mim mesma, para tentar encontrar um meio de fazer essa dor passar. Eu nunca mais senti o que senti ao teu lado. Eu nunca mais entrelacei meus dedos como entrelaçava com você. Eu nunca mais olhei nos olhos de outro alguém como olhava nos seus. Eu nunca mais fui a mesma...E eu sempre soube que mudar era fundamental, e ficava tentando repetir à mim mesma a importância deste ato. Mas eu sei que não mudei: eu simplesmente esqueci de continuar. E hoje fico me perguntando por quanto tempo isso ainda vai permanecer comigo. Lembro bem do nosso último beijo. Faz um ano, perto do nosso mar. Perto do lugar que costumávamos adorar em segredo. E depois disso, às intermináveis conversas e os dolorosos encontros que ainda aconteceram. Você tentando se afastar e eu lutando para me reconstruir. Tudo tão difícil, tudo tão solitário. Os silêncios que às vezes estabelecíamos até que um dos dois não pudesse mais resistir... Por que talvez não fossêmos mais sinônimo de amor, mas amigos sim, sempre. Sorrir com você era fácil. Era bonito. Hoje eu sei que você vive outras histórias, com outras pessoas. E eu também estou seguindo meu caminho. Mas o que ainda dói fundo é saber que por mais que eu esconda, no final do dia, é de você que eu vou lembrar. É com você que eu vou desejar estar. E é de você, fatalmente, que eu ainda vou gostar. Não nego que há novas possibilidades aparecendo para mim e que estou tentando me dar outra chance. Não sei até quando vou admitir essa ousadia à que estou me entregando. Ainda sinto exatamente o mesmo por ti. Mesmo que estejamos por tanto tempo separados, é com a tua presença que eu me conforto. A vida segue, nós dois sabemos. Mas não vou negar que às coisas ainda me parecem mais bonitas quando penso que poderiam acontecer com você. E eu acho que durante estes dois anos eu nunca externei tanto o teu significado como agora. Sei que pode estar sendo tarde demais, mas é que antes eu realmente achava que era cedo, muito cedo. Me desculpe, eu realmente nunca consegui lidar com prazo algum.

Reticências

E se eu te disser que estou com medo de ser feliz?


[...]

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Somente ela.

She wiil beloved é o que a música reproduz nos ouvidos da garota. Assim, meio tímida, ela abre um sorriso. Lembra-se das palavras bonitas que recebeu minutos atrás e que lhe trouxeram uma felicidade real. Ela será amada já repercute em sua lista preferida desde o tempo em que às sextas-feiras eram dedicadas ao chimarrão com a amiga mais do que importante. Mas ontem à noite, quando a música tocou, ela pode compreender o significado que estava escondido dentro das notas que conduziam o ritmo do som. Era ela quem precisava amar. Não aos outros, como vinha fazendo numa dedicação quase que por completo, mas a si mesma. Ela precisava de amor próprio, desses que não encontramos no abraço de ninguém. O caminho, como havia lido, era in¸ dentro, escuro, silencioso. Nunca off, nunca... Ela sabia que poderia amar aos outros, mas aprendeu que destinar uma parte desse amor a si mesma também era fundamental.  A aquisição deste pensamento aconteceu somente depois de longas sessões de análise com o terapeuta mais compreensível que conhecia, e também após longas e intermináveis noites na busca de autoconhecimento. Hoje em dia a garota ainda titubeia, mas já vislumbra algum tipo de sentido. Ela está sendo amada nesse exato momento, não por outro alguém, mas sim, pela única pessoa que pode fazer com que ela encontre a liberdade. E acredite, esta pessoa mostra-se todos os dias, ao refletir no espelho.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sorria.

Às coisas andam bem viu? Não é nem jogo pra manter a aparência.  É felicidade mesmo. É choro também, mas só aquele que alivia. Eu tô feliz. Assim mesmo, sem você, sem mim, sem ninguém. Só eu e tudo. Tudo que também é nada. E nada que é lindo, muito lindo. Como aquele sorriso bom que eu despertei em alguém. E que voltou pra mim, tenho certeza que sim.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Só se for amor.

Atender a um impulso é o mesmo que cair dentro de um poço. Você acha que a dor vai diminuir e ela só aumenta. Sedução envolve amor. E amor é muito mais do que beijo na boca. Depois da ânsia vem a culpa, e o criminoso reflete no espelho. Leviana é a palavra que ganha espaço no pensamento. Lágrimas correm durante toda madrugada e a única certeza é a de nunca mais querer ver o olhar do outro. Passando dos próprios limites a gente apenas percebe que o corpo do outro não é, e nunca vai ser, o remédio para curar o nosso. É amor, amor de verdade que vai conseguir tirar isso de mim. Só isso e nada mais.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Carta 2.

Ontem eu te vi mais uma vez. Depois de várias semanas sem nenhum contato, encontrei com teu olhar. Usando minha nova tática de simplesmente ficar indiferente, fingi não estremecer quando nossos olhos se cruzaram naquela estação. Mostrei um sorriso bonito para amiga que estava comigo e foi só. Dentro do ônibus, cada parte do meu corpo tremia devido a adrenalina do nosso encontro. Minhas mãos suavam e meu coração... Bem, ele estava prestes a saltar boca a fora. Mas você não precisa mais saber desses detalhes. Fui fria como nunca pensei que conseguiria ser. Me assustei comigo mesma. Mas tudo parecia bem, depois de alguns minutos apenas absorvendo o silêncio do local. Estava escuro e confesso que minhas lágrimas quase pediram passagem, mas resisti. Decidi ouvir uma música qualquer e ao primeiro som percebi que aquela era nossa faixa. Aquela música que tantas vezes tinha entrado em nossa história. Pensei em excluí-la, mas não consegui. Deixei sangrar bastante, mas não chorei. Acho que começo a compreender que por maior que seja a minha saudade, ela é pequena perto da dor que esse amor me causou. Sei que poderia ser muito mais fácil ligar para você e dizer:  'Ei, estou com saudades, vamos nos ver?'. Mas não posso mais. Fui tão feliz contigo por quase dois anos, mas hoje não posso mais suportar a incerteza sobre o seu amor. Ou me ama ou chega disso tudo. E ontem, quando nos encontramos mais uma vez eu tive uma louca vontade de te abraçar como sempre fazia e ficar corada ao receber um beijo teu. Aquele beijo bom que eu aprendi a amar. Mas infelizmente, as coisas mudaram e hoje sei que não é em mim que você vai pensar antes de dormir. Não é a mim que você vai recorrer quando seu mundo estiver prestes a desabar. Não é comigo que você vai desejar passear pela praia. Não sou mais eu quem vai te deixar envergonhado e segurar firme a sua mão. O que um dia foi a nossa felicidade, ficou no passado. E hoje, eu ainda choro por saber que aquela noite fatídica já nos mostrava que nem tudo seria tão fácil assim. Resistimos o máximo possível, mas ambos sabíamos que simplesmente amar não seria o suficiente em nosso caso. Nos últimos dias evito o contato por saber que é hora de me afastar. Ainda dói, mas estou bem. Acredite. Não há outra pessoa no meu coração, porque não acho que estou preparada para deixar que outro alguém ocupe algum lugar aqui do meu lado. E se você tiver encontrado outro alguém que esteja lhe fazendo feliz, saiba que não sinto ódio nenhum. Não sou egoísta a ponto de achar que somente eu te completaria. Fique bem meu querido. Eu fiquei feliz ao seu lado, mas agora estou aprendendo a ser feliz sozinha também. Mesmo que uma simples troca de olhares ainda me faça estremecer, hoje sei que amar é muito mais do que uma simples taquicardia que esse coração bobo ainda insiste em criar.




Com carinho, daquela garota que você beijou na praia, pela útlima vez.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lá em cima, meu azul.

Uma sensação de felicidade. Foi assim que ela acordou, naquele dia qualquer. Aparentemente nada havia mudado. Mas era como se tudo, absolutamente tudo, fosse novo. Ela abriu os olhos e pensou: eu quero ver meu céu azul outra vez. E com esse pensamento, deixou de lado o velho moleton que sempre abrigou suas lágrimas, e decidiu colocar aquela blusa que tanto gosta. Saiu de casa sabendo que hora ou outra, a felicidade ia chegar. Nada de novos ou velhos amores, muito menos um acréscimo no salário. Foi só uma vontade de ser Sol outra vez. E a partir daquele momento, ela pode sorrir com sinceridade. Ser feliz nem parecia mais tão difícil assim.






''Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes
eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que
esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar:
combinei comigo não desistir de mim."

(Ana Jácomo)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Caio e suas verdades.

"Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora, eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi, tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar.”
(Caio Fernando Abreu)

domingo, 1 de maio de 2011

Jéssica Daiana Haubert.

Em meio a tantos dias nublados que pairam sobre a minha vida, existe alguém que é capaz de se oferecer para atravessá-los comigo. Neste ato de puro e sincero amor, encontro conforto tanto em momentos de felicidade plena, como em quedas até o fundo do poço. Ela, em sua mais bela capacidade de sentir o que me aflige, sempre percebe que há algo que está desandando por aqui. E com sua incrível sensibilidade está sempre pronta à me dizer às palavras que eu preciso ouvir. Quando meus olhos parecem vendados, ela me guia em meio a escuridão e traz conforto quando a luz dói mais do que eu poderia suportar. Quando há sol e a vida é bela, ela está ao meu lado para compartilhar destes momentos singelos. Então quando chega aquela vontade de desistir de todas estas procuras, a lembrança de que ela ainda acredita em mim acaba me dando o ânimo que tanto necessito. Muito além de bajulação, este meu texto é a mais sincera afirmação de uma amizade que por tantos anos, tantas perdas, tantas alegrias e tantos momentos, só foi capaz de me trazer uma felicidade real. À minha querida amiga Jéssica Daiana Haubert, só tenho que agradecer. Nunca será o suficiente, porque só nós duas sabemos a importância de tudo que já dividimos. Obrigado por estar aqui quando a luz brilha e um obrigado ainda maior por não desistir de mim quando esta escuridão chega e me toma pelas mãos. Minha luz no fim do túnel, na grande maioria das vezes, me leva até você.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Silêncio, por favor.

Sinto saudades em silêncio. Nem você, nem minha mãe, nem minha melhor amiga sabem. Sei só eu, e nem sei de verdade se assim compreendo. Dá uma dor aqui no peito, uma vontade de chorar e de correr muito, pra longe de ti, pra longe de mim, pra longe de tudo o que um dia fomos nós. Está doendo bastante, e eu sabia que o risco traria suas consequências. Agora é deixar doer em silêncio, porque o barulho que faz aqui dentro já é alto demais para meu coração. Quero que isso emudeça, antes que eu perca a capacidade de ouvir o que existe lá fora. Porque se eu perder, não há mais fala que me tire desse lugar.

domingo, 24 de abril de 2011

Você tem?



Amor sincero é assim.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Perdas.

Descobri que cada morte que vivencio é nova e única. Dessa maneira, a partir das experiência anteriores, não posso absorver nenhuma lição que faça com que eu me torne mais forte para enfrentar uma nova perda, quando ela surgir. O que foi tirado de mim agora, é algo diferente do que um dia já foi perdido. E eu sou diferente do que já fui uma vez. Portanto é difícil saber quais são os melhores meios que podemos usar para superar a dor do fim. Quando se perde um amor é assim também. Mesmo que o coração já esteja calejado e repleto de cicatrizes passadas, não há aviso ou experiência prévia que diminua o sangrar de um corte fresco e profundo. É uma perda nova trazendo consigo um luto novo. E mesmo que algo do gênero já tenha murchado seu coração, é difícil tomar as rédeas e seguir adiante. Hoje pode ser o fim de uma vida, amanhã o nascimento de um amor, depois de amanhã a quebra do final feliz e assim sucessivamente. É utopia acreditar que estamos livres das intermináveis mortes que vamos enfrentar durante esta longa e desconhecida caminhada. Cada uma, de uma nova maneira, apresentando para cada um de nós não apenas uma perda, mas a possibilidade de nos redescobrirmos muito mais fortes do que poderíamos imaginar. Sei que morte assusta, mas o fim é inevitável. O que pode ser alterado é a maneira com que vamos aproveitar o tempo que nos é dado entre este início e o tal do ponto final.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lembra? É o nosso final feliz...

Algumas coisas devem acabar, mesmo que por um longo período, tenham lhe feito muito bem. A decisão pelo fim às vezes é o melhor que podemos fazer. Mesmo que haja dor e que a dor traga lágrimas, o sofrimento se vê agora em uma contagem regressiva para seu término, ao invés de continuar na indecisão em que pairava até horas atrás. Acabou. É o fim. Sem felizes para sempre, mesmo que nunca o tenha desejado. Agora não nos resta apenas seguir adiante, mas também modificar  a maneira de andar por nossos caminhos. Estaremos distantes, e mesmo que perdidos, nossos pedaços não se reconhecerão em nenhum outro lugar. Sentenciamos que era hora de partir ou de ficar. E inexoravelmente nós dois, desde muito cedo, já sabíamos qual seria a derradeira resposta. Sim, esse teria que ser o nosso melhor final. Continuar, deixaria marcas muito profundas em uma história que foi, na maioria das vezes, muito bonita.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

É hora de escolher.

Você mostrou se importar com o que houve naquela noite. Mas com quantas mais, em diversos dias, você também se importou? Você diz não saber porque se sente confortável ao trocar confidências comigo, mas acabo sempre por descobrir que estes segredos são os mesmos que a garota ao lado também vai ouvir. Você disse que no futuro, gostaria que o 'eu e você' pudesse se tornar uma realidade, mas enquanto continuar sendo eu, você e todas às demais, eu não posso continuar. Você disse que eu era uma pessoa especial em sua vida. Mas eu sei que não sou a única mulher dentro dela. E me desculpe, nesse sentido eu sou muito mais do que egoísta. Decida-se. Ou às coisas acontecem ou elas acabam por aqui. E me parece que nosso rumo está nos levando para a triste, mas necessária, segunda opção.

domingo, 10 de abril de 2011

Cansaço.

De tempos em tempos, aquela vontade de que alguém entre em sua vida e comece a fazer parte dela, retorna. Dá uma saudade de inícios que ameaçaram mas não chegaram a ser. Nasce uma lembrança de todas as fugas para o quarto escuro quando o sonho acabava outra vez. E nasce também, a dúvida sobre como deixar alguém lhe amar sem ter receio de que o início tenha sempre o mesmo fim. Ela sabe que o fato de não ter dado certo com seu primeiro grande amor, não pode acabar destruindo todas as novas possibilidades que poderão surgir. Mas a garota teme não ter mais os mesmos olhos para observar tudo que ainda gira ao seu redor. Dessa maneira, ela sentencia que alguém à encontre, porque  não sabe dar os primeiros passos para iniciar um novo caminho. Não por desistir do amor, mas por sentir que está cansada demais destas buscas que nunca levam a lugar algum.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Me desculpe.

Você disse que me ama. Depois de tanto tempo, ainda me ama. Eu apenas disse que não posso corresponder. Você sofre por mim. Eu sofro por outro. Não parece totalmente sem sentido? Pois é, amor nenhum vem com manual de instrução. E acho que nós, da pior maneira possível, estamos aprendendo essa lição. Me desculpe, mas prefiro não iniciar algo para depois abandonar. Fizeram comigo, e eu sei que um início com fim prematuro dói bem mais do que nunca dar a largada.

domingo, 3 de abril de 2011

Desafinados.

Quando me relatas tuas diferentes relações com às demais pessoas ao nosso redor, constato que tudo é mais simples quando somos só eu e você. E sei que tu também te destes conta desse pequeno fato. Comigo tu és apenas quem deseja ser. Eu não exijo mais, você não me concede menos. E eu continuo me perguntando o que é isto que ainda cultivamos entre nós. Já ousei pronunciar a palavra amor, mas se fosse amor vindo de ambas às partes não faria sentido continuar nesta distância tão grande. O interessado sempre dá um jeito, mas me parece que ainda não descobrimos qual é o nosso real interesse dentro de tudo isso. Sinto falta de definições porque elas me dariam algum tipo de segurança, mas ao mesmo tempo não consigo me desprender dessa ilusão de que algum dia nossos desejos vão estar dentro uma só sintonia. E dela, sabemos só eu e você.  

domingo, 27 de março de 2011

O princípio.

Minha professora de Filosofia nos disse que ‘o mundo é como um mosaico. Como a história e a vida estão em constante movimento, não temos todas as peças disponíveis. ’ Estas palavras surgiram em meio ao nosso debate sobre as diversas Teorias sobre a Origem do Mundo.  Toda teoria necessita de uma base, um início, algo que dê suporte para os possíveis conceitos que irá defender. Assim, podemos citar nosso grandioso Darwin com sua Teoria da Evolução, onde as espécies mais adaptadas ao ambiente é que sobrevivem, ou mesmo os Neoplatônicos,  filósofos que se baseiam nos desdobramentos, colocando o Uno como o centro de tudo e de todas às demais criações. A partir de pequenos e básicos conceitos filosóficos sobre a possível Origem do Mundo, proponho um novo olhar sobre outro tipo de origem: a do amor.
Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins – no livro – Filosofando: Introdução à Filosofia, nos contam sobre um possível início do amor. Assim elas dizem: 

"Aristofánes, o melhor comediógrafo da época, relata o mito segundo o qual, no início, os seres eram duplos e esféricos, e os sexos eram três: um constituído por duas metades masculinas; outro por duas metades femininas; e o terceiro, andrógino, metade masculino, metade feminino. Como ousassem desafiar os deuses, Zeus cortou-os em dois para enfraquecê-los. Cada ser tornou-se então um ser fendido, e o amor recíproco se origina da tentativa de restauração da unidade primitiva.”

Antes do amor, existe a paixão. Concordamos, a grande maioria pelo menos, que amor à primeira vista fica reservado aos filmes com o dito ‘felizes para sempre’. Se alguém discordar, aceito prontamente novas opiniões que possam tentar me convencer do contrário.  Paixão é loucura, é taquicardia a milhões, é um brilho nos olhos e uma dor forte, caso não venha a se concretizar o ideal do amor. Paixão é o nosso Big Bang da Origem do Universo, uma explosão com resquícios para todos os lados. Depois de passada essa febre, é necessário que algo mais tenha se estabelecido. Caso contrário, na grande maioria das vezes, a estória de amor tende ao fim.
Eis então os primeiros sintomas do amor. Há um brilho diferente no olhar, as tarefas mais árduas parecem ganhar um estímulo a mais, acordar em plena segunda –feira não parece mais tão temível, afinal as lembranças do final de semana são às melhores possíveis, sem falar que já é segunda novamente, então sexta ou quem sabe quarta, não devem demorar tanto assim a chegar. Amor é bonito sim. É mais do que beijo na boca, é beijo na alma. É aquela troca de olhares que arranca um sorriso saudável, aquele entrelace de mãos que já não suam mais como no início, mas agora sentem um calor que provém de uma segurança inexplicável. Cito aqui alguns sintomas típicos, porque não ousaria tentar explicar o que realmente o amor nos causa. Amor é surpresa, é novo a cada dia. Exatamente como a Teoria de Heráclito que nos diz que nunca entraremos duas vezes no mesmo rio.
Mas relembrando as primeiras palavras da minha professora, quando disse que ‘não temos todas as peças disponíveis’, nos vemos frente à outra face que o amor nos oferece. Porque não podemos pensar que tudo vai ser belo e doce. Amor dá medo também. Dá um nó nos pensamentos, dá um frio na barriga quando o telefone não toca, faz surgir lágrimas quando expectativas são quebradas, e traz silêncio quando não sabemos mais qual será a continuidade de tudo que já vivemos a dois.

Não ter o quebra-cabeça pronto é um desafio. Imaginamos onde encontrar as peças e com quem dividir a nossa imagem em pedaços. Assim como o mundo e sua origem sempre vão ser uma incógnita, ou por enquanto ainda são, os motivos do amor também serão. Não há motivo para explicar porque nos apaixonamos por alguém que parece ser o nosso oposto. Ou até mesmo, por que não nos apaixonamos por ninguém, nem por nós mesmos? O amor é instigante, eu diria. É um sentir sem motivos, sem explicações. Parece irracional. E assim é. Racionalizar o amor é quase que impossível. Precisamos sentir muito, em todos os aspectos, para depois quem sabe, amar de um jeito torto, mas da melhor maneira que soubermos fazer.

Comparando o amor com às diversas Teorias sobre a Origem do Mundo, chegamos a uma única conclusão: assim como existem diversas teorias sobre a Origem, existem também inúmeras possibilidades de amar. Não há certo ou errado, nem bom nem mau, muito menos certezas. Existem princípios, conceitos, divagações, possibilidades. Mas o livre-arbítrio se impõe de uma maneira fulminante. Você decide no que acreditar e como amar. Sei que o senso comum estabelece certas regras, e quem sabe sejam essas às que você, eu, todos sigam. E se não forem (porque sim, não é preciso ser comum!) tudo bem. O que importa aqui é acreditar que há um início, um começo, um princípio de tudo. Tanto do mundo, como do amor. Basta agora que você deixe que todas estas possibilidades entrem em sua vida. E mesmo que tudo isso pareça extremante confuso, busque indagar sobre o que o amor cria em você. Respostas fixas são difíceis de encontrar, porque quem sabe, não desvendar o mistério seja o que nos faça amar novamente, mesmo depois do nosso mundo ter caído mais uma vez. Eis então que me pergunto:
- Se existem tantas teorias, por que não podem existir novos e desconhecidos amores?



PS: este texto é minha tentativa frustrada de acreditar que o amor ainda pode existir. Quer tentar acreditar comigo, mais uma vez? 

sábado, 26 de março de 2011

O meu poço mais fundo.

Sinto como se precisasse arrancar tudo que existe aqui dentro.
Uma angústia, um aperto. Um medo de sufocar com tudo isso.
Era pra ser liberdade, mas continua sendo só solidão.
E solidão é um poço fundo. Acho que estou prestes a me afogar.
E agora?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Branco.

Apago o que digo. Não por ser mentira. Acho que tudo aquilo que confessei foi a minha verdade mais bonita. Mas amor precisa ser dois, e por enquanto ele não é nem um. Estou pela metade, reconstruindo cada pedaço. O que continua intacta é a minha verdade. Só que aprendi que guardada lá dentro, ela fica ainda mais bonita. Você sabe dela. Eu sei da sua. Só. O resto dói demais pra externar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Tudo ainda existe.

E se tivesse dado certo? – ela se pergunta. Teriam, quem sabe, comemorado juntos os últimos setecentos e trinta dias que se passaram. Teriam deixado sorrisos maiores na memória. A companhia resistiu ao fim. Não exatamente aquela em que poderiam se olhar e se tocar, mas aquela que se perpetuou nas palavras que ainda trocavam. Houve longos períodos de silêncio, onde cada um fez e refez (ou pelo menos tentou) a sua vida. Surgiram outros beijos, outros abraços, outras pessoas. Mas o estranho é que, setecentos e trinta dias depois, sorrir ainda (e só) se tornava muito mais simples em sua companhia. Ainda era naquele mesmo lugar que a conversa fluía, que o coração sentia e que os olhos choravam de saudade. Nunca sabendo se o outro sentia ou deixara de sentir, os dois continuaram nesse afeto sem nome, nesse sentir ser explicação. Ela o achava instigante. Ele precisava da sua aprovação. Ela fugia constantemente, renegando o que sentia. Ele acatava cada palavra, num silêncio quase que desesperador. Outro dia mesmo, foram novamente longe demais. Palavras subentendidas ficaram pairando no ar.  E aquela mesma sensação de que teria sido bom se tivesse acontecido, surgiu outra vez.  Ela tem certeza que ainda sente. Ele não sabe se algum dia sentiu. E agora, será que os próximos setecentos e trinta dias podem juntar o que, inevitavelmente, nunca se separou? Ela gostaria muito, e às vezes acredita que ele também está aprendendo a gostar.  Quem sabe um dia será amor, será doce, quem sabe um dia será  real. 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Escolhi ser quando crescer.

Seguindo o ritmo alucinado dos dias e vivendo a doce rotina de estudar algo que me fascina, coloco pé ante pé e sigo em frente. Esqueço de tudo quando posso simplesmente ouvir tudo que meus professores me oferecem. Sei que essa felicidade provém daquele início prazeroso que toda nova possibilidade nos oferece e que hora ou outra, o sonho terá sua porcentagem de inferno também. Mas enquanto vivo o lado bom de tudo isso, me delicio com tudo que que me faz viver cada vez mais para dentro e para os outros. Outro dia mesmo, minha professora surgiu com a seguinte afirmação: "Para ser psicólogo é necessário acreditar sempre, independente das circunstâncias, que uma pessoa pode mudar."
Naquele exato momento, eu, escondida no fundo da sala como quem procura uma segurança, apenas sorri. Aquele sorriso de canto, que esconde exatamente tudo que as palavras da professora puderam trazer à tona. Ao mesmo tempo em que tudo o que foi dito me fascinou, me trouxe uma sensação de dor. Fiquei e fico me perguntando ainda, como proceder quando acreditar que alguém pode mudar, faz com que esqueçamos que esta mudança talvez não seja exatamente o que esperávamos. Ou mesmo quando acreditamos muito, e os resultados parecem  insignificantes frente a nossa insistência. Minha professora assim como muitos, me fez pensar. E este extremo entre o pensamento e a dor, me faz venerar cada vez mais o que eu escolhi para ser quando crescer. Eu sei que ainda pode doer muitas vezes, mas a perspectiva de penetrar cada vez mais fundo nesse mundo é muito maior do que traumas que não voltam mais.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Cante flores, traga pra mim.

Ela sabia que ia passar, que a saudade iria cessar, que o coração iria acalmar e que a dor iria partir. Imaginava que a vida iria seguir e que em algum momento outro capítulo iria iniciar. Era assim, ao menos, que pensava nos dias em que sorrir era algo natural. O difícil era lidar com a chuva e com as nuvens que obstruíam o pouco de luz que era necessário para continuar. Quando tudo o que podia ver e sentir se tornava cinza, era normal se encolher e relembrar do que não voltaria mais. E é exatamente nesses dias que chorar se tornava não um problema, mas um início para algum tipo de solução. Quando a garota se apaixonou pela primeira vez, já sabia que o início teria seu oposto, o qual chamamos de final. Sabia que ao mesmo tempo em que existia um princípio de união, a brecha da separação começava a nascer. E quando o fim surgiu, quem sabe mais prematuro do que ela pode imaginar, foi difícil esconder que algo havia ficado pelo caminho. Então em dias cinzas como hoje, a garota sente falta dos seus pedaços, sente falta dos pedaços daquele amor. E o que dói mais fundo é saber que tanto o que partiu, quanto o que ficou, não está mais nesse novo rumo que ela decidiu seguir. Não foi só uma questão de escolha. A necessidade de mudar às vezes esconde seus motivos mais cruéis. O que lhe resta agora é saber que algumas novas flores já começaram a aparecer por esse novo caminho. E flores, mesmo em dias de puro cinza, não perdem a cor que possuem.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sim pra mim. Sim pra nós.

Então chega mais perto, me beija, me invade, me faz esquecer dos limites desse tempo, me  abraça e me protege, me olha e cuida de mim. Não se afaste que eu me perco. De mim, de você, do mundo, e sou capaz de fugir para um lugar sem volta, sem amor. Fica comigo, sem data, sem horário, sem final feliz ou infeliz. Agora, só agora sinta comigo e perceba o quanto vale a pena, ou simplesmente deixe eu tentar te mostrar. Vamos aproveitar este durante, evitando o passado e o futuro. Me dê a mão, caminhe comigo, fuja, sorria, chore, porque sim, eu quero chorar com você também. Sem medo, sem vergonha, é só deixar fluir, é só sentir, ser humano, ser amado e amar. Amar muito, porque sempre gostei de tudo que é extremo. Por isso pode invadir, pode me perturbar, pode arrancar de mim um sorriso e me deixar corada de pura timidez. Estou me permitindo. Estou te aceitando. Estou existindo dentro de tudo isso. Só o que não pode, é abandonar o barco antes da viagem estar completa, ou antes do primeiro pôr-do-sol chegar. Eu prometo ficar. E você, fica também?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Estranho

Nunca houve uma necessidade enorme de que você se mostrasse além do que meus olhos podem ver. Eu não esperava que fosses um herói ou um desses príncipes que salva a bela donzela em um final feliz.
Eu apenas esperava compartilhar bons momentos, sentir e dar felicidade, sem pretensões, sem expectativas, deixando que o desenrolar de tudo mostrasse aonde este início iria chegar. Sei que auto-afirmação é algo que todo ser humano, em algum momento, vai buscar. E é claro que poderia acontecer em uma situação constrangedora. Mas fico tentando imaginar em que momento dei a entender que você precisava me oferecer mais (ou menos) de tudo aquilo que compartilhávamos juntos. Porque na realidade, a quantidade de sentimento nem é o x da questão, afinal meu desejo era partilhar e não comparar quem doa ou recebe mais. Posso ter dado um passo em falso, ter demonstrado ansiedade, ou simplesmente ter decepcionado qualquer tipo de expectativa que você criou sobre mim. Assim como você pode ter feito o mesmo. Hoje não posso precisar o que houve, mas sei que há algo estranho dentro de um caminho que tinha tudo para ser promissor. Não vou buscar culpados, porque sei que a questão transcende esse limite entre ter, ou não ter razão. Espero que na hora certa, a resposta apareça para nós dois.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ir. Partir. Voar.

- Você vai embora?
- Sim, parcialmente sim.
- Quando partimos é pra sempre, com tudo, não é?
- Não. Acho que não.
- Você não vai mais estar por perto. Eu vou te perder.
- Nunca. Perder é algo que não combina com partir. Não pra mim.
- Não pra nós.
- Vou sentir saudades.
- Eu também. Muita. Mas você vai comigo.
- Vou?
- Sim. Vai dentro. Vai muito. Vai ao meu lado.
- Eu vou ficar com você. Aqui, sempre.
- É.
- Bem aqui. Bem lá. Em qualquer lugar.
- Me liga?
- Todo dia. Em silêncio.
- Eu vou te ouvir, mesmo assim.
- Eu sei. Por isso que não é o fim.
- Eu acredito em você.
- Eu também. Muito. Sempre.
- Longe.
- Ou perto.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

É tudo azul.

Lá está ela. Sentada na janela, de braços cruzados abraçando as próprias pernas, como quem abraça por amor, observando os pingos de chuva que caem ao seu lado. Tão perto. Tão pequenos. Tão transparentes. Ao pensar em transparência a garota sorri sem saber. Num passado recente, dias de chuva a deixariam cinza, trazendo exatamente tudo que a cor remete. Porém naquela tarde de domingo, ela sentava na janela esperando o azul do céu voltar. Porque mesmo sem ter certeza nenhuma, ela sabia que depois de uma, duas, ou quantas semanas de chuva fossem necessárias, o céu do azul mais lindo, estaria novamente no mesmo lugar. Sempre acima, sempre no alto. Para que ela nunca se esqueça de levantar a cabeça mais uma vez e dessa forma deixar que a luz transpasse o seu olhar e inunde tudo, tudo e tudo que  existe por aqui. Brilha o sol, vem o azul. E a garota sorri, sem saber.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma luz

Toda noite, ao deitar a cabeça em seu travesseiro e sumir por baixo do seu edredom, sinônimo de conforto e segurança, ela devaneia sobre seus dias. Insistentemente, a mesma pergunta aparece. Avalia se amar e amar muito, é realmente o caminho que deve seguir. Numa certa noite, ao fazer a mesma indagação, deve ter lido em seus livros, ou ouvido em alguma música, ou simplesmente chegado a tal da resposta.  Não sabendo bem como a reconheceu, apenas lembra das seguintes palavras: Quem sabe você, por pelo menos um instante, tenta amar menos e deixa que alguém te ame mais. Depois disso adormeceu, e soube que no outro dia o sol voltaria a brilhar mais uma vez.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Via de mão dupla

Às vezes me pego pensando porque voltas para relembrar o que houve, bem quando eu começo a me desvencilhar da nossa história. Por outro lado, começo a acreditar que estou me recuperando muito bem, pois já evito te procurar ou quem sabe depender da tua atenção. Eu estou adorando ser livre, de uma maneira que nunca imaginei, e é a partir dessa  sensação boa que começo a colocar um ponto final em nós. Sei que falas e sei que ainda dói. Mas ao mesmo tempo, sei que agora eu também vou falar e também vou me impor, lhe mostrando que às coisas mudaram, e que, definitivamente, eu não quero mais a nossa história. Me abalo sim, e não nego. Ainda sinto muitas coisas aqui dentro. Mas seguir adiante, depois de uma boa noite de sono, já começou a ser muito mais fácil. Um dia tudo acaba e começa de outro modo, em outro lugar. Espero que aconteça pra você também. Porque não sou só eu que preciso seguir em frente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Juntos e livres

Eram os dois. Somente os dois. Falavam sobre a vida, sobre sentir, sobre a sensação indescritível de amar e ser amado em plenitude, por si só, sem motivos, sem exigências, sem cobranças, apenas amor. Sobre a certeza de saberem que são humanos e que (sim!) em algum momento haveria uma falha, haveria um descuido e o que era doce (porque sempre deve ser doce), poderia ter uma queda brusca. Mas ao mesmo tempo, falavam sobre  a  certeza de que mesmo com todas às possibilidades que o mundo e às pessoas lhes ofereciam, eles voltariam para o mesmo abraço no final da tarde. Porque amar é isso, saber das possibilidades, mas reafirmar todo dia a escolha já feita.  Mesmo  quando o silêncio era o tudo e o nada, assim se aceitavam, se respeitavam, se amavam. Hoje os dois não são um. Continuam sendo dois. Porque o par junta, não afasta. Continuam relembrando todos os dias, que estarão sujeitos aos desatinos que a vida pode impor, e mesmo assim, cultivam a certeza de que o preço vale a recompensa. E está durando, porque eles sabem que apenas o amor não sustenta. O que sustenta, é acreditar na capacidade que cada um possui de viver sua própria individualidade, sem deixar de pensar um segundo sequer, no quanto o amor pode trazer liberdade à uma pessoa e, ao mesmo tempo, juntar duas vidas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

É o meu limite

Há dias em que deixar a raiva de lado é quase impossível.
Egoístas e controladores é tudo que reconheço em vocês.
A minha liberdade chegaria em algum momento e compreendo que poderia ser difícil até que vocês se acostumassem com a situação. Mas arruinar toda tentativa de felicidade que me proponho,  já ultrapassa todos os limites da minha paciência.
Eu cresci e já criei minhas próprias convicções. E é normal que elas não sigam a mesma linha das que vocês escolheram. Às pessoas não são iguais, e isso é fato.
Minha ideia não era partir sem deixar rastros. Sim, eu pensava em voltar. Mas  do jeito que as coisas se encaminham, minha vontade é de seguir e nem lembrar que deixei algo por aqui.
Vocês estão sugando todo o meu amor e, infelizmente, um dia sobra só o que eu estou sentindo agora: solidão. E raiva, muita raiva.
Desculpe, eu não queria sentir isso. Mas realmente, eu não posso mais suportar. Todo mundo chega ao seu limite, e esse é o meu.

domingo, 23 de janeiro de 2011

É este o meu caminho.

Decisões nunca costumam ser fáceis. Ainda mais quando todo seu futuro, ou pelo menos grande parte dele, está inserido dentro de uma escolha. Consulto amigos, vejo e revejo opiniões, avalio custos, rumos.  Considero todas às possibilidades, colocando na balança o que pesa mais e o que vale mais. Pode parecer tudo igual, mas pra quem sente e vive há uma grande diferença. Quero tanto seguir meu rumo, encontrar novidades e dentro delas me reconstruir. Expandir horizontes, conhecer meus outros 'eus', porque sei que eles existem aqui dentro. Assumir o controle de algo que eu julgava estar controlado, mas que agora anseia por novas direções e por uma guinada total. É isso, eu quero tudo novo. E todo aquele conteúdo que ficou aqui dentro, resquício de um passado próximo e que continua resistindo, não precisa mais sair daqui. Porque agora aprendi que o que vale é deixar que tudo se transforme. Eu tomei a minha decisão, e sei que ela não será bem compreendida por todos, talvez nem por mim. Mas agora, meu coração grita alto por este caminho e não suporta mais a ansiedade de esperar para que a largada seja dada. Os planos foram traçados há muito tempo, então agora é hora de colocar tudo nos trilhos que vou seguir. Quem sabe um dia eles mudem de rumo, ou até mesmo descarrilhem, mas por enquanto, estou firme na direção, visualizando um horizonte que pode me proporcionar algo que sempre busquei: liberdade e felicidade plena.



"Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar" 
(Ana Carolina)


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Monólogo

- Você não compreenderia.
- Como sei? Eu já tentei tantas vezes. Será tão difícil ver estas marcas profundas em meus olhos, retratos de todas aquelas tentativas frustradas?
- Imaginei que você fosse fugir.
- Sei lá, teu rosto era transparente. Faltava densidade meu amigo, com certeza faltava.
- Não doeu? Você realmente acha que não doeu? Claro, continuas apenas visualizando a situação pelo teu prisma. Os outros não valem a preocupação. Mas quer saber, doeu tanto que nem tenho mais força pra exigir que compreendas.
- Você acha que eu sempre acumulo sentimentos em excesso?
- Tudo bem, eu não vou mais tentar explicar que o que eu mais precisava, era que você não buscasse explicação. Eu te amava cara, era esse o ponto. Só.
- Sei, agora vens me dizer que eu também era importante. Sínico. Sarcástico. Deves estar rindo de mim por dentro. Como podes dizer que eu significava algo se nem sabes o que significa dar importância à alguém?
- Não me venha com seus joguinhos, cansei. Não entendo essa pedra, esse gelo, essa frieza que conservas por dentro. Eu sou quente, eu transbordo de tanto sentir.
- É claro que nós nunca deixaríamos de ser eu e você. Demorei muito pra entender.
- Não quero guardar rancores. Quero colocar tudo para fora. Chega de acumular, encher, se afogar em sentimentos sem volta.
- Você sabe que eu te amava? Ah, que bom então. Pena que não soube ver o quanto.
- Sermos amigos? Claro, por mim agora tanto faz. Chega um ponto em que nada mais acrescenta, então ser algo ou não ser nada é totalmente indiferente.
- A gente cansa sabia. Eu cansei.

E assim o telefone continua chamando. Uma vez. Dez vezes. Cem vezes.
E eu, com meu pensamento turvo, fico aqui , só imaginando o que iria te dizer se você, do outro lado da linha, algum dia, resolvesse me dizer alô.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Você

Você surgiu desde o primeiro instante em que cruzei a linha que separava o mundo lá fora do interior daquela sala. Num primeiro momento a troca de olhares foi casual, mas nem se sustentou por três segundos, afinal o clima de tensão se instalava no recinto. No segundo dia, quando não havia mais nenhum resquício seu em minha memória, cruzei a mesma linha e me deparei com seus lindos óculos quase transparentes e seu belo par de all star sentados exatamente no lugar que eu ocupei 24 horas atrás. Num gesto rápido, para que minha confusão interior não fosse descoberta, me identifiquei e segui reto, até o final do corredor, me sentando exatamente na mesma posição que você, apenas uma fila ao lado. Me perguntava se havias trocado de lugar por mero acaso, quem sabe precisavas de mais luz, menos ar frio que provinha daquele aparelho barulhento que a sala comportava, ou quem sabe tivesse trocado de lugar exatamente por. Não, não poderia ser. No terceiro dia adentrei o mesmo caminho e nossos olhos se cruzaram mais uma vez. Só que estavas distante, sentado no lado oposto ao meu. Com a cabeça fervilhando de ideias e motivos, sentei e deixei que meu olhar se perdesse. Não sei como, nem quando aconteceu, mas quando dei por mim, estava lá você, trocando de lugar, vindo em minha direção, estendendo o olhar, fazendo com que toda minha timidez  aflorasse sem nenhum pudor. E a partir daquele passo que você deu, pude compreender que não era mera coincidência. Havia algo subentendido em nossa troca de olhares. Naquele mesmo dia, nos retiramos daquele recinto ao mesmo tempo. Caminhavas dois passos à minha frente, mas não houve sequer uma palavra. O que dominava era o silêncio. Você era enigmático. Era nada. Era tudo. E hoje, quando a chuva prenunciava o fim daqueles dias, você estava sentado lá, ao meu lado, como esteve em todos os outros dias. E seguindo nosso roteiro, não houve contato. Descobri seu nome, sua idade, tudo por uma básica averiguação na lista que nos era passada. Não sei nem bem porque fiz isso, mas fiz. Será que fizestes também? Hoje saí do nosso recinto antes de você. Mas a vida quis que nos cruzássemos mais uma vez no final da manhã. O silêncio ainda predominou e acho que foi exatamente por isso que eu ainda o guardo aqui dentro. Pode ter sido algo insignificante. Mas existiu, e por existir já valeu muito a pena. Quem sabe um dia cruzaremos a mesma linha outra vez.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Recomeço

Os primeiros dias de 2011 estão recriando um sentimento bom. A contagem regressiva para a troca de ano foi linda, recheada de presenças especiais. Os dias que seguem, mesmo sendo poucos, são de muita calma. O sonho de um vestido azul, cor do céu - aquele mesmo que me faz acreditar e seguir sempre- aconteceu. Depois de tudo dar errado e do primeiro vestido ser trocado, o fim será azul.
A garota que aqui escreve, está bem. Ignora certos fatos e vive o que há, como acha que deve viver.
Claro que nenhuma rebeldia extrema está se instalando. Não pensem em alguém saindo pelas ruas e proclamando uma independência.
A mudança não está do lado de fora. Dessa vez sou eu que preciso entrar.
Os próximos dias receberão a sonhada formatura e posteriormente, os quatro dias do vestibular da UFRGS. Deixo agora que a vida me mostre aonde eu preciso estar amanhã.